Olá, caro(a) leitor(a),
Desde 2024, o Conselho Federal de Psicologia, por meio da Resolução CFP nº 9/2024, regulamenta o exercício profissional da Psicologia mediado por plataformas digitais: as chamadas Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDICs).
De acordo com a Resolução, cabe à(ao) psicóloga(o) avaliar aspectos fundamentais da demanda, como o grau de risco, a faixa etária e a presença de necessidades especiais. A partir dessa análise, há situações em que a psicoterapia no formato presencial é estritamente recomendada.
Para pessoas que não se enquadram nesses critérios, a psicoterapia no formato remoto pode ser uma ferramenta extremamente útil, especialmente em contextos em que o acesso ao consultório ou ao serviço psicológico é limitado. Além disso, o conforto do próprio ambiente, aliado à ausência de deslocamento, costuma ser percebido como um fator positivo por muitas pessoas (inclusive, faço parte dessa galera no que se refere à minha terapia pessoal, viu?).
No entanto, é importante destacar um ponto que precisa de muito cuidado nesse formato de atendimento: a privacidade. Não é incomum que a pessoa atendida esteja acompanhada em casa ou até mesmo compartilhe o mesmo cômodo durante a sessão: situações como familiares circulando pelo ambiente, parceiros(as) ouvindo a conversa ao fundo, crianças interrompendo o atendimento ou até a necessidade de falar mais baixo para não ser escutado(a) podem interferir de forma direta no processo terapêutico, limitando a expressão emocional, a espontaneidade e a profundidade das reflexões.
Vale ressaltar que, ao abordar a questão da privacidade neste texto, não estou me referindo à proteção de dados e à segurança das informações compartilhadas nas sessões, aspectos que são dever ético e técnico da(o) profissional, incluindo a escolha de plataformas confiáveis e alinhadas às normativas vigentes. O ponto aqui diz respeito, especificamente, às condições do ambiente em que a pessoa atendida se encontra durante o atendimento on-line.
Dito isso, caso sua escolha seja pelo atendimento remoto, é importante reforçar que este exige um cuidado adicional:
- Sempre que possível, certifique-se de que as pessoas ao seu redor não estejam próximas o suficiente para ouvir a sessão. Colocar uma música no ambiente ou num cômodo próximo, por exemplo, pode ajudar a abafar a conversa e torná-la inteligível;
- Escolha um ambiente minimamente reservado, calmo e com conexão de internet estável;
- Utilize fone de ouvidos – observe se o(a) psicólogo(a) está utilizando também! – um detalhe simples, mas fundamental para garantir o sigilo e a qualidade do encontro terapêutico.
Já no ambiente presencial, o deslocamento, os gastos envolvidos, o tempo despendido e até a preguiça (que às vezes bate, não bate?) costumam aparecer como pontos “negativos”. Ainda assim, faço aqui uma defesa importante do atendimento presencial para a prática da psicoterapia enquanto profissional.
Na Gestalt-terapia, o contato é um elemento central. Não que o ambiente on-line não o possibilite, mas a presença corporal amplia significativamente essa experiência. O corpo comunica o tempo todo: pela postura, pela respiração, pelos silêncios, pelos pequenos movimentos que, muitas vezes, passam despercebidos na mediação por telas. Estar no mesmo espaço físico favorece uma percepção mais integral do outro e de si, aprofundando o encontro terapêutico.
Enfim, podemos concluir que não existe um formato “melhor” ou “pior” de psicoterapia (salvo casos específicos, conforme a Resolução 9/2024). Existe aquele modelo que funciona melhor para você, considerando suas necessidades, possibilidades e o momento de vida em que se encontra.
Por isso, a pergunta mais assertiva seria: qual seria o cenário mais adequado para o seu processo terapêutico? E lembre-se: sua(seu) psicóloga(o) pode te auxiliar nessa análise. Se sentir necessidade, leve essa reflexão para a sessão e conversem juntos(as) sobre qual formato faz mais sentido para você neste momento.
Abraços! 🙂




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